Era ou É uma vez um Ditador…
O que a gente descobre lendo historinhas para o filho?
Identificamos nossa realidade lá!
Vou reescrever um trecho do Livro: ERA UMA VEZ UM TIRANO, de Ana Maria Machado, de 1982.
Por que vou dividir essas linhas abaixo com vocês? Porque eu vi a nossa atual e triste realidade, comandada pelo o personagem principal que no livro é dito como Tirano, sem nome específico. Na nossa realidade esse Tirano tem nome e vocês sabem que é. Se não sabem, então não entenderam o trecho aqui reproduzido ou então estão vivendo de modo conformista e cinza. Leiam e entendam por quê:
“Uns dizem que esta história aconteceu há muitos e muito anos, num país muito longe daqui. Outros garantem que não, que aconteceu há poucos e poucos dias, bem pertinho. Tem também quem jure que está acontecendo ainda, em algum lugar….
….
Era uma vez um reino. Ou uma república. Mas não tem muita importância. O importante é saber que era uma vez um país muito alegre e divertido, em que as pessoas davam muito palpite no jeito que queriam viver..Quem mandava era escolhido por elas. Esse negócio de todo mundo dar palpite às vezes ficava parecendo uma bagunça completa, porque todos queriam falar ao mesmo tempo, cada qual gritava mais do que o outro, às vezes até discutiam e brigavam, não era possível ficar sempre em ordem e na tranquilidade. Mas no fim acabava dando certo.
Era assim: quando tinha mais gente querendo uma coisa, era essa coisa que acabava sendo feita. E quem não estava de acordo podia chorar, resmungar, reclamar, chorar, fazer bico, chiar, espernear, mas no fundo sabia que não tinha jeito, a não ser convencer um monte de gente para passar para o seu lado. Era assim mesmo. Mas que de vez em quando toda essa onda e bate-boca pareciam uma bagunça, lá isso pareciam.
Foi por isso que apareceu o Tirano. Ou Déspota. Ou Ditador, tem muitos nomes… e desandou a dar ordens e mandar em todo mundo, só porque era o mais forte. No começo, houve até quem ficasse satisfeito com ele, pensando que estava dando um jeito na tal bagunça e que agora as pessoas iam ter ordem para trabalhar em paz. Mas como ele não ouvia palpite dos outros, foi começando a fazer besteira. Primeiro, implicou com isso de cada um ter uma ideia diferente…
- Onde já se viu? Por isso é que fica todo mundo discutindo em vez de trabalhar. É uma perda de tempo …
E lá veio a ordem:
- A partir de hoje, só podem ter as minhas ideias.
…
Quem não concordou, foi preso, ou foi expulso do reino. Ou tratou de ir embora antes de ser expulso. Ou ficou bem quietinho, guardou suas ideias bem guardadas no canto mais fundo e escondido da cabeça e saiu assobiando, disfarçando, fazendo de conta que não tinha nada lá dentro.
Depois o Tirano implicou com isso de cada um ter cores diferentes:
- Onde já se viu? Por isso é que fica todo mundo descombinando em vez de concordar. Não precisa de vermelho, nem do amarelo, nem de azul, nem nada disso. Pura perda de tempo…E lá veio outra ordem:
- A partir de hoje, fica proibido ter cores. Foi difícil, mas todo mundo tinha medo, que jeito? Ficou uma chatice. Tudo igual. As pessoas tiveram de se vestir de cinza. Os edifícios, as ruas, os automóveis foram pintados de cinzento. As árvores foram quase todas derrubadas, acabaram as flores, sumiram os passarinhos e as borboletas. Os jardins foram cimentados, a terra foi asfaltada, as verduras foram enlatadas.
As pessoas reclamavam em voz baixa:
- Assim não é possível! Onde já se viu?
…ninguém reconhecia aquela época…
Mas tinha gente contente, claro, gente que também não se lembrava de nunca ter visto reino tão bom, tão no BEM-BOM. Os fabricantes de tinta cinza, de cimento, de asfalto, de latas … esfregavam as mãos de tanta alegria:
- Oba… vamos ficar ricos! Este novo país parece um milagre.
Parecia mesmo. Ou um feitiço. Tudo cinzento, tudo sem discussão, tudo da mesma ideia e da mesma cor.”
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E aqui terminei de ler para minha filha. Amanhã vou ler mais um pedaço pra ela. E vamos ver até aonde chegamos!






